terça-feira, 13 de setembro de 2011

Psicologia também ajuda a saúde financeira

por Marina Gaspar

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Como os indivíduos e as organizações agem na hora de gastar ou poupar dinheiro, de fazer investimentos e uma série de outras transações tem muito a ver com a questão psicológica. É o que garante Vera Rita de Mello Ferreira, doutora em Psicologia pela PUC de São Paulo, psicanalista pelo instituto Sedes Sapientiae e professora da Fipecafi, fundação de pesquisa ligada à Faculdade de Economia e Administração da USP. Autora dos primeiros livros sobre a psicologia econômica no Brasil, ela conta quais são alguns dos erros mais comuns na hora de tomar decisões financeiras e indica soluções possíveis.

“As pessoas costumam se equivocar nas mesmas situações. Existem mais de 40 erros catalogados nas pesquisas”, diz Vera. Um deles, e muito comum, é o otimismo excessivo – tão em voga no momento que une economia aquecida, alta do emprego e a movimentação do final de ano. O que ocorre nesse caso, segundo a especialista, é que a pessoa tem a sensação de que não vai ter problemas, que pode gastar e no fim tudo vai se resolver.

Outra atitude muito repetida e que gera seus prejuízos é a autoconfiança exagerada. “A pessoa sempre acha que não vai acontecer com ela”, explica. A partir daí, investimentos arriscados podem acarretar imensos danos financeiros, por exemplo.

Em contrapartida, há aqueles que têm aversão à perda, o que também é um risco. “Sempre que existe a possibilidade, a pessoa prefere o ganho certo, mesmo sendo menor”, conta a psicóloga. O que ocorre nesses casos é que um investimento arriscado e de grande rentabilidade, ainda que com chances de ganho grandes e bem-fundamentadas, acabam sendo deixado de lado.

Eu quente e eu frio

Vera explica que é como se houvesse duas instâncias no comportamento dos indivíduos: o eu quente e o eu frio. No primeiro caso, a pessoa acha que tudo vai dar certo e, por isso, não liga para alertas. É o caso típico do indivíduo que não tem dinheiro para algo, mas faz uma dívida e acredita que no momento do pagamento vai ter. “O eu quente faz as coisas na hora, executa. É um lado sempre pressionado pelas circunstâncias, pelos impulsos e tenta sempre achar a melhor saída no curto prazo. Ele não enxerga longo prazo.”

Por outro lado, há o eu frio, planejador, que analisa com mais precisão os dados na hora de procurar uma saída melhor para as questões financeiras que surgem.

Essas manifestações ocorrem em diferentes esferas. “As empresas também têm suas personalidades. Umas são mais arrojadas, outras, mais cautelosas”, explica Vera.

Evitando armadilhas

Para não cair em armadilhas financeiras, a dica da especialista é que a pessoa tente fazer uma análise de suas atitudes ao tomar decisões econômicas. “É preciso parar para pensar. A psicologia econômica ajuda a entender como as pessoas funcionam nessas horas e como sair dessas ciladas psicológicas”, aconselha.

Para ajudar as pessoas a não cometer os mesmos erros, há atitudes simples e políticas que podem ser postas em prática. “Às vezes a pessoa quer poupar, mas não tem disciplina. Ela acha que vai conseguir pôr o dinheiro na poupança e não consegue. Ela poderia, por exemplo, combinar com o banco um desconto automático na conta”, sugere.

Outra dica é ter um envelope com o nome de algum objetivo escrito e ir guardando dinheiro nele. “Agora, com a inflação baixa, é possível.”

Vera alerta para a euforia do momento econômico e às campanhas de marketing que sempre dão uma forcinha para as pessoas gastarem mais. “É preciso de políticas públicas ou pessoais que ajudem a evitar esses erros sistemáticos”, diz a psicóloga.

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